Personifique seu ódio. Transforme-o em carne e osso. Dê um nome, um sobrenome, uma personalidade, um cargo, um estilo de se vestir, de falar. Qualquer semelhança com um chefe seu é mera coincidência. Agora soque o punho na mesa e encare-o, enfrente-o com todas as forças, aponte o dedo na cara dele, cuspa seu sangue nos olhos dele (como nessa cena aqui) e grite "you don't know where I've been, Lou!". Amarre-o numa cadeira e o faça ouvir este álbum:
Essa é a trilha sonora da sua vingança. Você vai sentir a cabeça dele girar a cada verso de verdade que for dito nas músicas. Se ele não conseguir entender o barulho, você vai fazer questão de declamar, verso por verso, até ele ir a nocaute. Você não precisa encostar a mão no filho da puta. Esqueça as técnicas de tortura medievais. As verdades ditas neste álbum fazem qualquer Lou chorar e implorar clemência.
Não é a toa que o álbum chama Disco Preto. Nesse disco, o Dance buscou nas origens do punk/hardcore paulista o que faltava pra sintetizar toda o descontentamento que pairava dentro da cena. É uma paulada, um soco violento na cara de quem achava que a banda tinha dormido no barco do emocore (uma definição, eu diria, muito errônea, quando se trata dessa cena).
Nesse álbum, os caras mostram, mais uma vez, que não estão de brincadeira, que não querem mimimi e vão continuar pelos becos escuros pelos bares imundos por aí, resistindo e mantendo vivo o espírito animalesco do underground.
E como de costume, um som pra dar um gostinho:
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