sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aos mestres, com carinho.

Em homenagem ao dia do Rock, o Roquenrol Soundtrack tira as traças e limpa as teias de aranha e traz uma nova postagem com uma breve retrospectiva em vídeos e comentários da história do nosso bom e velho companheiro de aventuras.

A começar pelos longínquos anos 60. Não que o rock tenha nascido aí, a gente sabe que não, mas vamos começar de onde já temos mais conhecimento. Na época que sua vó era bonitinha, havia uns caras que já estavam começando a tirar um som. Os Beatles encantavam o coração das menininhas com as letras de amorzinho que só serviam pra balançar e estourar os tímpanos com a gritaria desesperada das moças - semelhante ao que o Restart faz hoje, a diferença é que os Beatles conseguiram evoluir cada vez mais seu som e revolucionar o Rock pra sempre (mas nunca é tarde pra tentar, viu Restart?).


O som e a imagem tinham uma coisa em comum: o mono. Enquanto as vitrolas tocavam os vinis com gravação em uma só faixa de audio, as TV's recebiam imagem monocromática.

A década seguinte é a minha preferida, de longe. Com a revolução dos Beatles, o avanço na tecnologia - que permitia faixas Estéreo, como percebido pela primeira vez no famoso Sgt.Peppers - e um empurrãozinho das drogas e das revoltas políticas na europa, apareceram os anos 70. Todo mundo clamando por paz e amor, tirando a roupa e cantando abraçado, deitados na lama de Woodstock, uma música que hoje virou um hino: With a Little Help From My Friends, uma versão do Joe Cocker (infinitamente melhor, na minha opinião) para a original dos Beatles.
Não dá pra falar de Woodstock sem lembrar disto. É claro que também não posso deixar passar batido outros grandes nomes como Janis Joplin e Jimi Hendrix.
Tudo bem, você pode estar pensando "mas, Woodstock foi em 1969", mas já deu pra sacar a vibe que vinha em sequência. No fim dos anos 60, também surgiu a melhor banda do mundo: o Led Zeppelin, que marcaria os anos 70 pra sempre na memória dos roqueiros.
A psicodelia chegou na cabeça e ficou. E todos ficamos muito loucos e chocados com o que uma música psicodélica pode causar.

E pra alegria de alguns (menos a minha), chegou o fim da festa, e com ele, a depressão. Os anos 80 apareceram e trouxeram o que Raul Seixas chamou de "melancolia e promessas de amor". A charrete perdeu o condutor e caiu num vale de lágrimas dividido entre Renato Russo e Menudos. As baterias que fazem barulho de aço ecoando na nossa cabeça são dignas de tristeza. Por outro lado, ainda tem aquela chata da Cindy Lauper, com "Girls Just Wanna Have Fun", que foge um pouco do rock, mas tem a mesma péssima qualidade musical da época. Quem tem uma música boa desta década que não seja melancólica e/ou chata, por favor me indique. 
Anos 80: dez anos de fim de rolê.

Ainda bem que vieram os anos 90.
Não era lá muito animado, mas o grunge que dominou essa época já estava bem melhor que aquela sensação de impotência e paumolismo que a depressão dos anos 80 causava. A década de 90 foi marcada por ninguém menos que Kurt Cobain, que foi o anti-herói da geração e principal ícone da cena. As músicas ainda tinham um pouco de depressão, mas eram mais marcadas pela rebeldia e pela distorção das guitarras. Era o rock retomando sua agressividade e renascendo, como uma fênix.

Então chegou o grunge, que com um pé na porta, estuprou a cena, quebrou guitarras, baixos e baterias, e provou que não rolava mais aquela chatice da década passada.


Então, o futuro chegou. A árvore cresceu, criou mais e mais raízes. A geração internet dos anos 2000 revolucionaram mais uma vez o rock e nos trouxeram coisas incríveis e coisas nem tão incríveis assim. Impressionante e que talvez entre pra nossa história e pra história da nossa geração é a opera-rock do Green Day, o fantástico álbum "American Idiot". Um álbum digno de ficar na memória, que trouxe aquele clipe fantástico que fez muita gente ficar boquiberto na frente da TV: Wake Me Up When September Ends.
Com a guerra em evidência e os hormônios à flor da pele, não tinha quem não se emocionasse com a história do casal separado por uma bomba de distância.


A segunda década do século 21 está apenas começando. Sei que devo ter deixado passar despercebido algum ícone importante de toda esta história, mas queria deixar gravados estes sons que nos fizeram a cabeça em cinco décadas de beleza. Mas nosso rock vai crescendo, criando raízes, florescendo, dando frutos e derrubando folhas mortas pelo chão, e haja espaço pra estes galhos alcançarem, porque só o céu é o limite pra nosso som, que ultrapassa barreiras.
E viva o rock!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dance of Days - Disco Preto (2010)

Personifique seu ódio. Transforme-o em carne e osso. Dê um nome, um sobrenome, uma personalidade, um cargo, um estilo de se vestir, de falar. Qualquer semelhança com um chefe seu é mera coincidência. Agora soque o punho na mesa e encare-o, enfrente-o com todas as forças, aponte o dedo na cara dele, cuspa seu sangue nos olhos dele (como nessa cena aqui) e grite "you don't know where I've been, Lou!". Amarre-o numa cadeira e o faça ouvir este álbum:

Essa é a trilha sonora da sua vingança. Você vai sentir a cabeça dele girar a cada verso de verdade que for dito nas músicas. Se ele não conseguir entender o barulho, você vai fazer questão de declamar, verso por verso, até ele ir a nocaute. Você não precisa encostar a mão no filho da puta. Esqueça as técnicas de tortura medievais. As verdades ditas neste álbum fazem qualquer Lou chorar e implorar clemência.
Não é a toa que o álbum chama Disco Preto. Nesse disco, o Dance buscou nas origens do punk/hardcore paulista o que faltava pra sintetizar toda o descontentamento que pairava dentro da cena. É uma paulada, um soco violento na cara de quem achava que a banda tinha dormido no barco do emocore (uma definição, eu diria, muito errônea, quando se trata dessa cena).
Nesse álbum, os caras mostram, mais uma vez, que não estão de brincadeira, que não querem mimimi e vão continuar pelos becos escuros pelos bares imundos por aí, resistindo e mantendo vivo o espírito animalesco do underground.
E como de costume, um som pra dar um gostinho:

domingo, 10 de junho de 2012

The Mars Volta - De-loused At Comatorium (2003)

Dando sequência ao Roquenrol, venho humildemente apresentar o primeiro álbum dessa maravilhosa banda (a minha preferida): The Mars Volta - De-loused At Comatorium.



Com os integrantes da famosa At the Drive-in, Cedrix Zavalla e Omar Rodriguez-Lopez, o Mars Volta aparece em 2001 e lança seu primeiro disco de estúdio em 2003. 
De-loused chega quebrando barreiras, com o pé na porta, reacendendo a chama setentista em nossos corações. As psicodelias beiram o surreal e transcendem pra outra dimensão de pensamento. Haja neurônio pra conseguir entender.
É o típico álbum que você ouve sozinho em casa, num quarto escuro, sóbrio, e mesmo assim tem alucinações. É aquele álbum que quanto mais alto você ouvir, mais efeito vai ter e mais você vai se debater.
Os caras sabem o que fazer e sabem como fazer. Não é apenas música, são novos dialetos. São mensagens passadas de seres mais evoluídos, do espaço além-Terra. É como se todos os sons fizessem parte do mesmo instrumento, e esse instrumento fizesse parte de um corpo vivo, pulsante, que se comunica através da música.
Cedrix e Omar descobriram essa nova língua e a traduziram ao "humanês" com o auxílio de guitarras, muita percussão, sintetizadores e suas experiências com o hardcore diferenciado do At The Drive-in e até mesmo a cultura mexicana, que se nota em alguns trechos das músicas.
Tá aí um álbum que se vale muito a pena ter e ouvir sempre, pra poder expandir as fonteiras da mente e, quem sabe, aprender muita coisa nova.
Abaixo, um som deles. Deixe a música levar o tempo que ela julgar necessário pra dominar sua mente.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Eu Serei a Hiena - Hominis Canidae (2009)

Estreando o Roquenrol Soundtrack, a magnífica Eu Serei a Hiena, com o álbum Hominis Canidae de 2009.


Imagine se as guitarras do hardcore brasileiro atual se libertassem das amarras do protesto e da rebeldia, saíssem voando por aí, continuando ácidas e cortantes, mas desta vez livres pra desenhar qualquer mensagem no ar. Essa é a definição mais objetiva que eu consegui para explicar o conceito deste álbum. Não sou nenhum crítico, minha audição é tão normal quanto a sua, que deve estar cansada de ouvir sempre as mesmas coisas, mas cara, esse álbum é fantástico.

É como se ele tivesse vida própria, personalidade, e isso fosse parecido com você. Algumas músicas tem elementos que lembram um suposto sarcasmo, outras são mais calmas e conduzem à tranquilidade de uma janela molhada pela chuva.


A influência do hardcore é evidente, mas em alguns momentos, as linhas de baixo e efeitos puxam pra um psicodélico transcendental e metafísico.


A simplicidade do som é que dá a liga. Dá a impressão de juntar uns amigos em casa, descompromissadamente, ligar os amplificadores e ver o que sai. As guitarras conversam, o baixo e a bateria discutem e entram num acordo e o resultado do debate é esse álbum impressionante, que desafia os limites da compreensão humana.

Abaixo, o som que dá nome ao álbum: