quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dance of Days - Disco Preto (2010)

Personifique seu ódio. Transforme-o em carne e osso. Dê um nome, um sobrenome, uma personalidade, um cargo, um estilo de se vestir, de falar. Qualquer semelhança com um chefe seu é mera coincidência. Agora soque o punho na mesa e encare-o, enfrente-o com todas as forças, aponte o dedo na cara dele, cuspa seu sangue nos olhos dele (como nessa cena aqui) e grite "you don't know where I've been, Lou!". Amarre-o numa cadeira e o faça ouvir este álbum:

Essa é a trilha sonora da sua vingança. Você vai sentir a cabeça dele girar a cada verso de verdade que for dito nas músicas. Se ele não conseguir entender o barulho, você vai fazer questão de declamar, verso por verso, até ele ir a nocaute. Você não precisa encostar a mão no filho da puta. Esqueça as técnicas de tortura medievais. As verdades ditas neste álbum fazem qualquer Lou chorar e implorar clemência.
Não é a toa que o álbum chama Disco Preto. Nesse disco, o Dance buscou nas origens do punk/hardcore paulista o que faltava pra sintetizar toda o descontentamento que pairava dentro da cena. É uma paulada, um soco violento na cara de quem achava que a banda tinha dormido no barco do emocore (uma definição, eu diria, muito errônea, quando se trata dessa cena).
Nesse álbum, os caras mostram, mais uma vez, que não estão de brincadeira, que não querem mimimi e vão continuar pelos becos escuros pelos bares imundos por aí, resistindo e mantendo vivo o espírito animalesco do underground.
E como de costume, um som pra dar um gostinho:

domingo, 10 de junho de 2012

The Mars Volta - De-loused At Comatorium (2003)

Dando sequência ao Roquenrol, venho humildemente apresentar o primeiro álbum dessa maravilhosa banda (a minha preferida): The Mars Volta - De-loused At Comatorium.



Com os integrantes da famosa At the Drive-in, Cedrix Zavalla e Omar Rodriguez-Lopez, o Mars Volta aparece em 2001 e lança seu primeiro disco de estúdio em 2003. 
De-loused chega quebrando barreiras, com o pé na porta, reacendendo a chama setentista em nossos corações. As psicodelias beiram o surreal e transcendem pra outra dimensão de pensamento. Haja neurônio pra conseguir entender.
É o típico álbum que você ouve sozinho em casa, num quarto escuro, sóbrio, e mesmo assim tem alucinações. É aquele álbum que quanto mais alto você ouvir, mais efeito vai ter e mais você vai se debater.
Os caras sabem o que fazer e sabem como fazer. Não é apenas música, são novos dialetos. São mensagens passadas de seres mais evoluídos, do espaço além-Terra. É como se todos os sons fizessem parte do mesmo instrumento, e esse instrumento fizesse parte de um corpo vivo, pulsante, que se comunica através da música.
Cedrix e Omar descobriram essa nova língua e a traduziram ao "humanês" com o auxílio de guitarras, muita percussão, sintetizadores e suas experiências com o hardcore diferenciado do At The Drive-in e até mesmo a cultura mexicana, que se nota em alguns trechos das músicas.
Tá aí um álbum que se vale muito a pena ter e ouvir sempre, pra poder expandir as fonteiras da mente e, quem sabe, aprender muita coisa nova.
Abaixo, um som deles. Deixe a música levar o tempo que ela julgar necessário pra dominar sua mente.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Eu Serei a Hiena - Hominis Canidae (2009)

Estreando o Roquenrol Soundtrack, a magnífica Eu Serei a Hiena, com o álbum Hominis Canidae de 2009.


Imagine se as guitarras do hardcore brasileiro atual se libertassem das amarras do protesto e da rebeldia, saíssem voando por aí, continuando ácidas e cortantes, mas desta vez livres pra desenhar qualquer mensagem no ar. Essa é a definição mais objetiva que eu consegui para explicar o conceito deste álbum. Não sou nenhum crítico, minha audição é tão normal quanto a sua, que deve estar cansada de ouvir sempre as mesmas coisas, mas cara, esse álbum é fantástico.

É como se ele tivesse vida própria, personalidade, e isso fosse parecido com você. Algumas músicas tem elementos que lembram um suposto sarcasmo, outras são mais calmas e conduzem à tranquilidade de uma janela molhada pela chuva.


A influência do hardcore é evidente, mas em alguns momentos, as linhas de baixo e efeitos puxam pra um psicodélico transcendental e metafísico.


A simplicidade do som é que dá a liga. Dá a impressão de juntar uns amigos em casa, descompromissadamente, ligar os amplificadores e ver o que sai. As guitarras conversam, o baixo e a bateria discutem e entram num acordo e o resultado do debate é esse álbum impressionante, que desafia os limites da compreensão humana.

Abaixo, o som que dá nome ao álbum: